Ser cúmplice ou conivente? Como conviver com a dura realidade vivida pelo eleitor brasileiro

Nas eleições municipais, o índice de abstenções de votos brancos e nulos tem sido cada vez maior. Esse ano, o número de eleitores que não compareceram às urnas foi o maior em 20 anos, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Um exemplo claro do desânimo do eleitor com as candidaturas que se apresentam como alternativa política é o quem vem acontecendo em Ipatinga, cidade polo do Vale do Aço, em Minas Gerais. Após sofrer consequências da cassação do mandato de diversos prefeitos e de causar instabilidade política e financeira no município, os candidatos majoritários dos últimos pleitos que ganham a disputada eleitoral vem perdendo justamente para o número de abstenções.

Nas eleições municipais de 2020, conforme informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 174.327 eleitores estavam aptos a votar, mas apenas 129.049 registraram o voto, destes 5.764 (4,47%) votaram em branco e 9.696 (7,51%) anularam o voto. O dado mais relevante da estatística é o número de eleitores que não votaram, 45.278 (25, 97%) do eleitorado. Na somatória dos votos brancos, nulos e abstenções 60.738 eleitores, quase 40% estavam aptos a votar e não escolheram nenhum candidato.

Mas o povo está cometendo um equívoco? Embora essa seja uma maneira do eleitor discordar inclusive do candidato eleito, devido à pouca idade e o envolvimento com integrantes do escândalo do laranjal mineiro, a omissão trará prejuízos irreparáveis. O pior é que essa atitude favoreceu aqueles que fizeram mais barulho, investiram recursos financeiros do fundo eleitoral nas campanhas, enfim, elegeu o perfil de candidato que tem levado a melhor nas urnas, mesmo com uma grande parte do eleitorado insatisfeita.

Na dúvida, o eleitor ainda prefere não se arriscar para não ser cúmplice ou conivente com algo que ele desaprova. Mas como diz a minha amiga Carla Zambelli, o que houve com os conservadores? Aqueles que lutam para acabar com a corrupção, que preservam os valores da família, da vida.

Será que tivemos que nos pulverizar pela ausência de uma sigla partidária que nos confirmasse como base de apoio do governo federal?  Como foi difícil decidir quem apoiar com toda essa mistureba de centro/direita, direita/centro.

Neste cenário de incertezas e falta de orientação, partidos como PSD, DEM, PP, PSL, Avante, Solidariedade, PSC, Patriota e Republicanos (ex-PRB) ampliaram em 2020 sua base de prefeitos.

Sem um partido, ficamos de fora do processo de montagem de alianças e acordos locais. No entanto, o bloco de direita do eleitorado ainda pode exercer influência considerável nos próximos pleitos, como nas eleições de 2022.

O fraco desempenho desses poucos candidatos apoiados pelo presidente encobriu um efeito indireto dele na campanha municipal deste ano: favoreceu a expansão de candidaturas de direita.

A base conservadora é responsável por um alinhamento de valores que estavam dispersos antes da sua vitória em 2018, e que hoje está sendo explorado por diversos políticos, como uma visão dura de combate ao crime e à corrupção, uma postura econômica liberal, um conservadorismo moral sobre gênero e sexualidade e uma valorização de dogmas religiosos em detrimento da ciência. Isso gerou um bloco no eleitorado brasileiro que hoje se identifica com maior tranquilidade com essas dimensões conjugadas. E isso é um fator que mobiliza o apoio a políticos desse campo, que não precisam estar alinhados a Bolsonaro, mas que vai influenciar nas próximas eleições.

3 comentários em “Ser cúmplice ou conivente? Como conviver com a dura realidade vivida pelo eleitor brasileiro

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  1. Infelizmente a falta de um partido do presidente fez a população ficar perdida em meio a tantos políticos sujos se fingindo de direita e outras vezes em não saber em quem votar anulam ou se abstém do voto. Portanto precisamos urgente do partido do presidente funcionando a pleno vapor e filiações e coligações com partidos de direita que possam ter pessoas de bem escolhidos a dedo representando a direita, só assim o “povao” terão como votar consciente!

  2. Mas é vdd, os candidatos não merecem o esforço dos brasileiros, hoje o candidato vai preso perde candidatura se der uma cesta básica ao um faminto pai de família, agora rouba por outros motivos não tem lei, nem prisão, de ladrão, passa ser corrupto 😠dar pra entender?

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